Praga é uma Bênção

Praga, 26 de novembro de 2016.

Nos despedindo de Viena já com saudades, pegamos na Hauptbanhof o trem com destino a Praga. A viagem é muito bonita, a ferrovia margeia pequenas cidades e propriedades “rurais”, de onde se observa criações de carneiros e cavalos. Percebemos que o trem já adentrou a República Tcheca pela notável mudança na grafia e pronúncia dos nomes das cidades, que vão sendo anunciadas pelo maquinista. Já entrando nos arredores de Praga, visualizamos alguns agrupamentos de pessoas vivendo acampadas, possivelmente imigrantes. Todo o percurso durou exatas 3h56.

Castelo de Praga visto da Stare Mesto
Castelo de Praga visto da Stare Mesto

O trem para enfim na estação principal de Praga, a Praha hlavní nádraží. Desembarcamos e seguimos a pé, cerca de 800 metros, até o nosso hotel – caminhada de cerca de dez minutos em chão plano, puxando nossas malas de rodinhas.  Ficamos hospedados no Ibis Praha Old Town, na rua Na Poříčí. Uma localização excelente, diga-se de passagem, porque além de restaurantes e outras comodidades, o hotel fica exatamente ao lado de uma das entradas do Shopping Palladium, onde, após fazermos o check-in no hotel, almoçamos numa rede de fast food.

Portão da Pólvora

De lá começamos nossa peregrinação pela cidade, por volta das 14 horas. De início já aviso que, com essa hospedagem tão central, fizemos quase todo o nosso roteiro a pé.

Outra informação útil, é que a moeda local não é o Euro, e sim a Coroa Tcheca. Ainda quando estávamos na estação principal, entramos em uma casa de câmbio e fizemos a troca de moeda, que naquele dia estava na razão de 1 Euro para 27 Coroas. Muitos estabelecimentos aceitam receber em Euro, mas mediante cotação própria. Em alguns lugares, onde pagamos com nosso cartão Visa Travel, a cotação podia ser tanto de 26 Coroas ou de 28 Coroas para cada Euro.

No geral, e já havíamos lido sobre isso, Praga é uma cidade barata. A título de exemplo, com 320 Coroas, ou seja, 12 Euros, pedimos duas promoções caprichadas do Burguer King: 6 Euros cada promoção.

Praça da cidade velha

Saindo do Shopping Palladium, caminhamos mais alguns poucos metros e já visualizamos o Portão da Pólvora, uma daquelas tantas torres características da cidade. Passa-se por baixo do portão, que faz como que um arco, e começa-se a caminhada cerca de dois quarteirões abaixo, até a Praça da Cidade Velha (Staromestske Námestí), onde fica o incrível Orloj, relógio astronômico da torre da antiga Prefeitura que toca de hora em hora, com animação de bonecos representando os apóstolos e solo de trompete no alto da sua torre. Além das horas, o Orloj exibe também o movimento do Sol e da Lua pelos signos do zodíaco. É possível subir até o alto dessa torre, de onde pode-se mirar a cidade, mas não o fizemos.

A praça da Cidade Velha estava apinhada de gente, tanto para ver o Orloj, quanto para degustar as delícias da feirinha de Natal ali instalada. Impossível não deixar-se ficar pelo menos uma hora nesse lugar, apreciando o movimento e observando a arquitetura peculiar das construções do entorno.

No cenário destaca-se também a icônica igreja de Nossa Senhora Diante de Tyn (Kostel Panny Marie Pred Tynem), com suas torres de agulhas negras cortando o horizonte.

Praça da cidade velha

Dobrando uma ruela e outra, avistamos a ponte Carlos (Karluv Most), construída pelo sacro imperador romano-germânico Carlos IV, adornada com imagens de santos e em cada extremidade, uma torre no mesmo estilo do Portão da Pólvora. A ponte, que é talvez o maior cartão-postal da cidade, é impossível de ser fotografada vazia durante o dia. Aqueles que conseguem sua atenção exclusiva têm que chegar literalmente de madrugada. Caminhamos por sua extensão, que liga a cidade baixa (chamada de Staré Mesto) à cidade alta (parte à qual iríamos no dia seguinte, cujo bairro mais famoso é Malá Strana). Uma curiosidade: acredite se puder, mas ovos de galinha foram misturados à massa de cimento utilizada na construção da Ponte. Acreditava-se, à época, que esse ingrediente inusitado seria capaz de conferir mais força e durabilidade ao monumento.

Ponte Carlos

Já encantados com essa cidade, chamada carinhosamente de “A Pérola do Oriente”, seguimos à procura do Klementinum, antigo colégio Jesuíta fundado por volta de 1620, que simboliza a reconquista católica da cidade sobre os protestantes e cujo nome homenageia São Clemente. Seu conjunto de construções, que abrange a biblioteca nacional ou Grande Biblioteca Barroca, duas igrejas, três capelas e a torre astronômica, observa o estilo barroco.

O Klementinum é ainda conhecido como importante reduto dos estudiosos das ciências naturais, particularmente matemática, física e astronomia.

Biblioteca do Klementinum

Ali estudou o físico Kepler, tendo sido local da descoberta de suas leis dos movimentos planetários. Adquirimos por 400 Coroas dois tickets para visitação ao colégio, compreendendo a estupenda e legendária biblioteca, e a torre astronômica, que oferece vista 360 graus da cidade. Joelhos para que te quero: a excursão pelo Klementinum acontece em grupo, com horários marcados, e é bastante verticalizada: a cada sala visitada, sobe-se escadas em caracol, para galgar todos os andares até finalmente atingir-se a escadaria que leva à torre. Esta última é uma escada mais escura e com degraus irregulares. Mas vale a pena a subida. Na torre está um disposto um sextante de enormes dimensões e, no derradeiro andar, pode-se contemplar a cidade. Ventava, chovia e fazia muito frio, cerca de 2 graus. Então foi preciso coragem para chegar nas janelinhas do mirante. Esse observatório foi também o local onde começou-se a medir diariamente a temperatura da cidade, desde 1775.

A Grande Biblioteca Barroca pode ser vista somente por detrás de vidros de proteção. O que se vê são globos terrestres que datam do século XVII em diante (a concepção de que a Terra é redonda, então, era bem recente), livros e mais livros acomodados em estantes – cerca de 20 mil no total –, e afrescos que decoram o teto abobadado.

Vista da cidade a partir do Observatório do Klementinum

Já estava escuro quando deixamos o Klementinum, por volta das 18 horas. Fizemos o caminho de volta para a Praça da Cidade Velha, deparando-nos com algumas  absinterias (bares onde pode-se comprar e/ou beber o absinto) e numa viela, com o museu da cerveja – lugares onde infelizmente acabamos não entrando, porque queríamos ainda visitar o bairro Judeu, Josefov. Sem falar no Hard Rock Café, que tem uma guitarra pendente do teto formada por gotas de cristal (a região da Bohemia é famosa não só pela cerveja, mas também por seus vidros e cristais). Demos uma entradinha.

Como tudo é absolutamente próximo, da praça da Cidade Velha viramos na avenida Pariská (avenida Paris), que, fazendo jus ao nome, ostenta todas as melhores e mais famosas boutiques do mundo. O bairro judeu compreende parte dessa avenida, e no trajeto, virando uma e outra rua, pudemos perceber traços da cultura judaica até mesmo na arquitetura. Um prédio de apartamentos, por exemplo, tinha Estrelas de Davi gravadas em dourado na fachada de suas varandas. No dia seguinte voltaríamos para visitar as sinagogas e o soturno e “ozzyosbourniano” cemitério judeu.

Ponte Carlos ao fundo

Demos mais um giro, desta vez nas proximidades do hotel, pela avenida Na Príkope e suas proximidades, onde entramos numa incrível loja de doces chamada Captain Candy (rua Melantrichova ). Os doces, chocolates e balas estavam dispostos em barris, com clara inspiração no navio do Capitão Gancho. Como ao fazer uma foto  derrubamos sem querer algumas balas no chão, achamos melhor pelo menos comprar um pouco, a granel. Próxima a essa loja de doces, mas na Av. Prikope 14, havia uma loja de brinquedos chamada Hamleys. A loja mais parecia um museu do brinquedo, dada a quantidade de heróis em tamanho natural espalhados por todas as alas! Até um carrossel funcionava dentro da loja. A loja em si nos pareceu mais um parque de diversões. Entramos porque ficamos realmente impressionados com a quantidade de brinquedos e com o quão lúdico era aquele ambiente.

Absinteria
Restaurante Vytopna

Depois de toda essa peregrinação e debaixo de muito frio, decidimos rumo ao hotel jantar no Shopping Palladium. A melhor surpresa e descoberta foi o restaurante Vytopna, com temática ferroviária. Não bastasse a decoração (você pode fazer sua refeição num vagão de trem amarelo), as bebidas são entregues não pelo garçom, mas por um trenzinho que chega diretamente à mesa do cliente. Todas as mesas são providas de trilho, para que o minicomboio possa aportar. Tomamos um maravilhoso goulash, a conhecida sopa da região da Bohemia que experimentamos também em Viena e que é super típica em Budapeste. Esta veio incrementada com feijão, para matar a saudade de casa. O jantar saiu a 494 Coroas, com bebidas.

Voltamos para o hotel, pois o dia seguinte consumiria nossas energias no Distrito do Castelo de Praga.

Por Letícia com texto e publicação de Cristiano, do casal de mineiros de Belo Horizonte, que acredita que viajar é um jeito divertido de conhecer outras culturas, com muita fotografia, mapas riscados, planos feitos, além de vários contos e diários conquistados e compartilhados.

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