Muita chuva e pouco tempo! A saída para o começo!

Champs-Élysées

Domingo, final de 2014. Esse foi o dia escolhido para a partida. Eu e minha esposa embarcamos para SP, Garulhos, sob muita, muita chuva, tendo como destino final a capital da França. Como se tratava de uma escala apertada para um vôo internacional, as 2 horas esperadas em São Paulo se resumiram a pouco mais de 1 hora e 30 minutos. Ainda não sabíamos deste tempo líquido novo, mas o tempo real lá fora estava bem molhado, o que me deixava bem apreensivo. Não tínhamos em mãos os bilhetes impressos. Só nos restava os vouchers digitais, localizador, bilhetes anotados em agendas, e pronto, era contar com o tempo, para melhorar. Durante o planejamento de viagem a empresa de viagens nos disponibilizou apenas os números, sem impressos, o que nos tempos atuais poderia ser dispensável. Poderia.

Em terras não mais mineiras atravessamos o Terminal 2 para o Terminal 3, correndo. Já mais respirável o ar avistamos o posto da Air France logo bem próximo. Mas o que parecia um oásis em meio ao deserto de Saara, torno-se uma ilusão pois estava fechado, há 10 minutos. O que seriam aqueles 10 minutos? O tempo de uma lasanha, pré-pronta, para assar no microondas! Ou seja, nada! Mas nada era exatamente o oposto do que ocorreu, parágrafos depois.

Ao buscar um posto de Informações do aeroporto, que mais se parecia com o inverso, nos indicaram a loja da Air France, que lotada também por passageiros da KLM, poderia nos fornecer os vouchers. Conseguimos um espaço no balcão, na disputada ausência de fila, em meio ao caos imperado. Por prioridade de conexões conseguimos indicação para procurar pelo escritório da companhia, que ficava em um conjunto de salas, dentro, dentro, muito dentro do saguão e escondido por uma porta pequena ao final do corredor lateral.

Somente nos restava correr, e muito para chegar lá. Depois de escada, elevadores, mais uma escada e finalmente em um outro e último corredor, vimos uma luz acessa ao final das 12 portas, pelas quais voamos. Lá, uma não brasileira, pelo sotaque carregado, já recolhia nossos passaportes e realizava o check in. Mas não contava com uma questão muito específica. A Lei de Murphy. Faltou tinta na impressora para sair de lá com com as passagens impressas. Para nós nos restava voltar à loja para tentar conseguir a impressão.

Não trouxe até aqui a referência de tempo para nosso voo partir e nos restávamos bastante pouco tempo. Em 30 minutos ou menos a aeronave partiria. Mas não estava nem um pouco disposto a ficar em terras paulistas à terra de Napoleão.

Retornamos pelas escadas abaixo em direção ao mesmo balcão que originalmente chegamos como alternativa. Conseguimos com muito custo as passagens, impressas, importante ressaltar esse tão relevante momento, impressas, e com a seguinte mensagem:

“-Se puder, corram, porque já estão muito atrasados!”.

Estava claro que não tínhamos tempo para respirar, muito menos para qualquer tentativa de resposta ao balconista. Deixamos todos aqueles passageiros se degladiando e começamos a correr. Nos restavam  naquela hora 20 minutos para ainda passar por muitas portas e burocracias. Ainda me lembro que olhei pra minha esposa e disse:

“-Corra o máximo que puder. E mais um pouco”.

Avistamos logo aquelas cordas e pesos dos separadores de filas e logo mais dentro da nova área, o Raio-X. Nossa cabeça não estava ali, claro. Passamos por tudo ali e chegamos ao Duty Free mas não chegamos onde queríamos. Chegava a Páscoa mas não chegava o portão final.

Foi lá que soubemos que não bastava estarmos no último Terminal do aeroporto de Guarulhos, o maior do país, mas sim chegar no último portão do maior aeroporto do país. Nada que alguns 800 metros, por baixo, não fossem problema. Contudo, a questão era tempo e nunca fizemos tão bem estes esses metros rasos como Claudinei Quirino os fizeram. Assumi a outra bolsa em cada ombro e o peso de 3kg cada ganhou peso de 21kg, pelo cansaço e correria, pois foram multiplicados em 7 vezes.

Combinamos de nos separar para eu tentar chegar na frente e “segurar” o voo. Muita inocência, mas não custa ria tentar.

Corri, corri e cansei. Minha mente corria mas meu corpo mandava seguir a pé aquela parte final daquele longo e tenebroso corredor cheio de cadeiras, até o portão de destino final.

Cheguei na frente e logo entreguei o tão fatídico cartão de embarque, impresso, devo ressaltar. Como uma tentativa fracassada ainda busquei convencer o atendente de avisar no sistema de som para minha esposa vir com calma pois eu já tinha conseguido. Algo que como uma medalha de ouro nas olimpíadas. Mas foi para o brejo logo minha tentativa com uma negativa direta, lógico! Mais para o brejo ainda quando ouvi deles se por uma acaso minha esposa não estaria atrasada por estar fazendo compras. Sem forças para incentivar meus pulmões a mais nada a não ser tomar fôlego, ignorei, por segundos, pois logo em seguida ela chegaria.

Corta!

Sentados em nossas tão esperadas poltronas bastava esperar para decolar. Não horas depois. Mas 4,58 minutos depois.

Neste interín ainda ouvimos do passageiro único, além de nós, do outro lado da fileira, sua reclamação ao comissário de bordo. Ele havia pedido uma fileira vazia para sua tranquila viagem e logicamente tínhamos encerrado seus planos. Mas assim ficou. Pelo menos por parte dele, que não comprou a fileira toda e acabou permanecendo insolúvel a questão.

Menos nós, que conseguimos outras duas laterais apenas para o casal, recém casado, na janelinha.

Seria ali uma viagem tranquila finalmente? Não. Mas dessa vez em virtude de outro tempo, não o do relógio, mas o do São Pedro, que não colaborou em nada na travessia do Atlântico.

Mas ali, sentamos, sendo tudo que precisávamos, com todo o tempo do mundo para relaxar e esperar ver Paris chegar.

No próximo Post nosso  primeiro dia na França, chegada e hospedagem!

Agora é sua vez, comente!

Por Cristiano e Letícia, casal de mineiros de BH.

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