Tudo sobre os Castelos Neuschwanstein & Hohenschwangau

Füssen, 20 de novembro de 2016.

Tornamos realidade um dos maiores sonhos de consumo em termos de viagens: conhecer os castelos de Füssen, cidadezinha alemã integrante da chamada Rota Romântica, distante 1h45 de Munique, em viagem de trem.

Paisagem vista da janela do trem
Paisagem vista da janela do trem

Nossa passagem foi comprada na véspera, em um dos terminais de aquisição dos bilhetes de metrô de Munique – máquinas disponíveis em toda estação. O ticket pode ainda ser comprado em mãos de funcionários da Deutsche Bahn, companhia ferroviária local, nos guichês que contam com atendimento por pessoa física, a depender da estação. (Nem toda estação, ao que nos pareceu, possui atendente, mas todas possuem a máquina para compra dos bilhetes).

Máquina de bilhetes do metrô de Munique
Máquina de bilhetes do metrô de Munique

A opção mais vantajosa para a viagem até Füssen é sem dúvida o Bayern Ticket, bilhete de validade de um dia inteiro que dá direito a quantas viagens forem necessárias nesse interregno, dentro do estado da Baviera, em trens regionais (não vale para os trens rápidos), e no serviço de metrô, bonde e ônibus dentro da cidade de Munique. Nos finais de semana, sua validade vai de zero hora a zero hora. Já durante a semana, das 9 da manhã até as 3 horas da madrugada.

Um único bilhete Bayern Ticket custa 23 Euros, mas com ele você pode incluir até mais 4 passageiros adicionais, que pagarão mais 5 Euros cada um pela passagem. No nosso caso, como estávamos em casal, o custo foi de 28 Euros (23 + 5 pelo passageiro adicional). É necessário validar o seu Bayern Ticket na máquina disponível da estação, quando de sua primeira utilização. Outra observação: viajam duas ou mais pessoas, mas o bilhete é único, ou seja, um único bilhete de papel, e não um bilhete para cada portador.

Durante os trajetos é praxe os fiscais da Deustche Bahn interpelarem cada passageiro, para conferência dos tickets. Costumam também fazer algumas perguntas, por exemplo, de onde viemos e para onde vamos (é sério!). Uma última dica em relação à compra do Bayern Ticket é que a sua opção não está visível de cara na tela inicial de compra da maquininha do metrô. É necessário clicar em “outros tickets” (All Offers), e depois “tickets especiais” (Leisure and special offers), e aí sim abre-se a tela onde você pode escolher o Bayern.

Embarcamos na Hauptbanhof (estação principal) de Munique no trem das 8:52 da manhã, com chegada prevista para as 10:30 horas no nosso destino. Não há horário marcado no bilhete. Pode-se, por exemplo, embarcar no trem das 8:52, ou os subsequentes e anteriores – se houver – o que for melhor para a sua conveniência, sempre lembrando que, em virtude de alterações promovidas sazonalmente pela Companhia, o viajante deve checar esses horários quando de sua viagem. Também não há assentos marcados e passageiros podem viajar de pé, então recomendamos chegar com cerca de 20 minutos de antecedência na Hauptbanhof, para ir se acomodando. Crucial observar se o horário de viagem escolhido exige baldeação. O nosso foi direto.

A viagem em si é muito bela e passa rápido: no caminho, cenários idílicos dos Alpes Bávaros, e de pequenas vilas e propriedades rurais, tanto para quem viaja nos assentos do lado esquerdo quanto do lado direito.

Desembarcamos na estação de Füssen, onde exatamente ao lado direito da plataforma de desembarque ficam os ônibus de n° 73 e 78, que conduzem o turista, por mais cerca de dez minutos, até Schwangau, a vila que sedia propriamente os castelos de Neuschwanstein e Hohenschwangau. Não tem erro nem perigo de perder o transporte: é só seguir o fluxo e as saídas dos ônibus são sincronizadas com as chegadas do trem!

Desembarque na estação de Füssen
Desembarque na estação de Füssen

O embarque nesses ônibus é gratuito para quem já tem o Bayern Ticket – e aí está mais uma vantagem em adquirir esse passe tão prático – bastando apresentá-lo ao motorista.

Passageiros atravessam a linha para pegar o ônibus
Passageiros atravessam a linha para pegar o ônibus

Os ônibus deixam os passageiros a cerca de 200 metros do Ticket Center, local de compra dos ingressos para os castelos ou para retirada dos mesmos, para quem os reservou com antecedência.

Desembarque do ônibus em Schwangau
Desembarque do ônibus em Schwangau

No ponto onde descemos do ônibus, já dentro de uma vila, há cerca de 3 restaurantes mais refinados, umas poucas pousadas, estrutura de toilette para o turista e uma modesta mais muito boa lanchonete chamada Königlicher Imbiss, onde optamos por forrar o estômago antes do passeio propriamente dito.

dscn3329

img_1207Eram cerca de dez horas da manhã, mas comemos uma curry wurst (lingüiça/salsichão com curry salpicado e batatas fritas, a 2,50 Euros), e um hot dog frankfurter (salsicha com pão de cachorro quente e mostarda, por 1,50 Euro), e tomamos, cada um, um refrigerante. Todo o lanche custou 10 Euros.

Devidamente alimentados, nos dirigimos ao Ticket Center para retirada de nossos ingressos para o castelo de Neuschwanstein. Fizemos a reserva prévia dos ingressos pela internet neste link . E fizemos bem, pois quando chegamos ao Ticket Center a fila para quem não tinha reserva era desanimadora, mesmo sendo inverno. Já a nossa fila era pequena e logo chegamos ao guichê, onde pagamos pelos ingressos reservados e o atendente ofereceu-nos o tour pelo castelo de Hohenshwangau enquanto esperávamos a hora de nossa visita ao Neuschwanstein, o que aceitamos. O tour pelos dois castelos custa 24 Euros.

Ticket Center
Ticket Center

“Os tours são guiados e só acontecem com hora marcada.”

Assim, quando é feita a reserva dos ingressos pela internet, é necessário designar o horário da visitação. Se, ao momento marcado, o visitante não estiver ao pé da catraca de entrada, perde a vez de entrar no castelo agendado. O mesmo vale para os ingressos comprados sem reserva prévia no Ticket Center.

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Alguns metros adiante, na mesma “rua” (Alpseestrasse) do Ticket Center, estão lojas de souvenires, e o museu dos Cavaleiros da Bavária, ao qual não tivemos tempo de ir. A “rua” acaba em um maravilhoso lago cercado pelos alpes, onde patos e marrecos nadavam e faziam algazarra, a despeito do frio de zero grau.

Hohenschwangau

Castelo Hohenschwangau
Castelo Hohenschwangau

Recuando ao Ticket Center, logo atrás dele sobe-se uma pequena mas íngreme trilha que conduz ao pátio exterior do castelo de Hohenschwangau, onde ficamos esperando a chamada para o nosso tour. Anexa a esse pátio, uma excelente lojinha de souvenires onde funcionava a cozinha do castelo (há um ambiente em que manequins em tamanho real simulam estar trabalhando naquela cozinha).

Cozinha do Castelo Hohenschwangau
Cozinha do Castelo Hohenschwangau

Apesar de ser o Neuschwanstein o carro-chefe da vila de Schwangau, constatamos que a visita também ao Hohenschwangau vale muito a pena. O palácio era uma ruína medieval que o Rei Maximiliano da Baviera, pai do Rei Ludwig (de quem muito falaremos a seguir) adquiriu no século XIX e reformou para moradia de sua família. Ludwig e seu irmão Otto viveram a infância ali. A dinastia dos Wittelsbach fez dali uma de suas residências efetivamente até o ano de 1916, conforme informações de nossa guia.

Vista lateral do Castelo Hohenschwangau
Vista lateral do Castelo Hohenschwangau

Assim, o Hohenschwangau está, a nosso sentir, mais impregnado da vida que aqueles personagens – e os demais daquela casa dinástica – viveram, com mais sinais de que ali se habitou e se desempenhou as mais diversas ações do dia a dia. Sente-se isso pela mobília, pelas paredes, tudo é bem conservado, mas tem a marca palpável do uso.

Neuschwanstein

Imagem: Castelo de Neuschwanstein - Foto Crédito: Cristiano Morley
Imagem: Castelo de Neuschwanstein – Foto Crédito: Cristiano Morley

Já o seu vizinho, o castelo de Neuschwanstein (novo cisne de pedra, em tradução), começou a ser construído por projeto pessoal de Ludwig II, que se tornou o Rei da Baviera na segunda metade do século XIX. Fascinado pelas epopeias medievais, pelos cavaleiros e guerreiros da Idade Média, e pelas óperas de Richard Wagner que tão bem traduziam essa época e tocavam-lhe a alma, Ludwig quis construir um refúgio para si, instalado no alto da serra e alheio à vida mundana.

Todas as áreas em visitação estão inundadas de referências a esses heróis: Lohengrin, Parsifal, Tristão.

Como o rei preferia a noite ao dia, seu quarto no palácio é um tanto sombrio. Há até uma gruta artificial e um jardim de inverno, onde o Rei valeu-se de iluminação colorida, embora bem tênue – uma novidade e tanto para a época. Contudo, a sala do trono surpreende por sua gama de cores, do piso ao teto. O cisne, quase um símbolo deste soberano, está presente em brocados e até mesmo na pia que guarnece o toilette de seus aposentos.

Castelo de Neuschwanstein, vista lateral
Castelo de Neuschwanstein, vista lateral

Infelizmente, Ludwig faleceu em 1886, aos 41 anos, antes de ver sua obra prima concluída em definitivo, mas chegou a desfrutar de alguns cômodos, tendo ali recebido o próprio Wagner e sua prima e muito amiga Elisabeth (Sissi, a imperatriz da Áustria e rainha da Hungria). Não é permitido fotografar o interior dos castelos.

Eagle (Ludwig) and Seagull (Elisabeth)
Eagle (Ludwig) and Seagull (Elisabeth)

Deixou ainda para deleite do povo alemão os castelos de Herrenchiemsee (cópia do Palácio de Versailles, na França) e Linderhof (mais uma vez inspirado pela música de Richard Wagner). Não tivemos como visitá-los.

Voltando aos aspectos pragmáticos da excursão, pode-se subir ao Neuschwanstein a pé (pernas pra que te quero!), de charrete, ou também de ônibus. Estes ficam estacionados um pouco à frente e ao lado do Ticket Center, e deve-se pagar ao motorista a passagem no valor de 1,80 Euro para subir e 1 Euro para descer.

As partidas são frequentes, e o ponto “final” é a encruzilhada entre caminhar alguns poucos metros para a Marienbrucke, ponte de estrutura metálica onde se tem a clássica visão do castelo, ou andar mais cerca de 300 metros, em descida, rumo ao pátio de espera pelo tour guiado. Na volta do castelo para o ponto de ônibus, é necessário subir ladeira moderada. Lembramos aos turistas que, com neve, esse ônibus não opera…

Ponte Marienbrucke
Ponte Marienbrucke

O ônibus conduz o turista de volta às imediações do Ticket Center. Resolvemos comer novamente no Königlich Imbiss, famintos que estávamos, pois naquela hora da tarde (já passava das 5h), o café do Neuschwanstein já havia fechado. Acabamos de comer sem pressa e avistamos uma senhora correndo para pegar o ônibus de volta a Füssen, aquele que leva à estação ferroviária.

Castelo Hohenschwangau visto da trilha de acesso do Neuschwanstein
Castelo Hohenschwangau visto da trilha de acesso do Neuschwanstein

Hesitamos um pouco entre correr também ou esperar pelo próximo, mas as circunstâncias favoreceram e conseguimos subir. Ao chegarmos à estação, tivemos a grata surpresa de saber que o trem das 18:15 era a última oportunidade daquele dia de voltarmos a Munique!

Se não tivéssemos pegado aquele ônibus, perderíamos o trem e teríamos que pernoitar na cidade, comprometendo o deslocamento do dia seguinte (iríamos de Munique para Viena).

Por Letícia, do casal de mineiros de BH que acredita que viajar é um jeito divertido de conhecer outras culturas, com muita fotografia, mapas riscados, planos feitos, além de vários contos e diários conquistados e compartilhados.

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