Viena Imperial

Viena, 21 de novembro, de 2017

Pegamos o trem na Hauptbanhof de Munique, com destino a Viena. A viagem durou exatas 4 horas, sem baldeações. Compramos nossas passagens antecipadamente, pela Rail Europe, e recebemos nossos tickets em casa, antes mesmo de embarcarmos para a Europa. A entrega foi certeira e pontual.

Hauptbanhof, Munique - Partida para Viena
Hauptbanhof, Munique – Partida para Viena

Chegamos à Hauptbanhof de Viena às 13 horas, onde desembarcamos nas plataformas superiores e com facilidade pegamos o metrô, bastando descer para as plataformas inferiores. Em poucos minutos saltamos na estação Karlsplatz, cujos corredores têm linhas iluminadas e coloridas, que guiam até a plataforma conforme a linha de metrô desejada. A nossa era a linha verde, e em mais alguns minutos saltamos na estação Margarentegurtel, já no bairro onde iríamos nos hospedar.

Estação Karlsplatz, Viena
Estação Karlsplatz, Viena

“A acessibilidade de Viena é impressionante. Toda estação possui ou escada rolante, ou elevador – nada há que se espantar, já que a cidade foi escolhida pela sétima vez como a melhor do mundo para se viver.”

O hotel escolhido foi o Ibis Wien City, localizado na Schönbrunner Strasse 92. Na verdade, o hotel fica equidistante a duas estações da linha verde do metrô: a Pilgramgasse e a Margaretengurtel. Basta caminhar por cerca de dez minutos, 500 metros, 2 ou 3 quarteirões. O bairro não se localiza na área nobre da cidade, mas se mostrou relativamente perto via metrô e custo benefício bom. Como Viena é uma cidade de alto custo, foi uma oportunidade de hospedagem que encontramos, em termos de hotéis com bandeiras de grandes redes (você sabe exatamente o que vai encontrar).

Ópera (Operngasse), Viena
Ópera (Operngasse), Viena

Largamos as malas no hotel e rumamos novamente para a estação Karlsplatz, onde fica, no corredor de saída que dá para a Ópera (Operngasse), o ponto físico do Vienna Pass, passe de transporte e museus que também compramos antecipadamente e que retiramos lá (há opção de entrega em domicílio também).

Falar sobre as inúmeras vantagens do Vienna Pass renderia um capítulo à parte, já que o passe é muito útil e em algumas atrações evita ter que esperar em filas e colocar a mão no bolso para comprar ingressos.

Tudo já está incluso no passe, que tem uma cobertura muito abrangente de quase todas as atrações de Viena, quase todos os museus, e algumas diversões, como a roda gigante do Prater. De quebra, o turista pode pagar pelo passe que inclui acesso livre e irrestrito a todo o sistema de transporte público da cidade, e ainda os práticos ônibus Hop on-Hop Off.

Torta Sacher, Hotel Sacher, Café Sacher, Viena
Torta Sacher, Hotel Sacher, Café Sacher, Viena

De lá, saímos para a Kartner Strasse, e de cara já tivemos a melhor amostra da beleza dessa cidade: o edifício da Ópera estava bem ali, com suas passagens (passagens cobertas laterais da rua) e arcos. No quarteirão de fundo da Ópera, fica o Hotel Sacher (pronuncia-se “zarher”), famoso pela receita da legítima e original torta Sacher, cuja degustação é parada obrigatória em Viena.

Quebrando por aqui e por ali, encontramos a Kaisergruft, que é nada mais nada menos do que a cripta imperial da Ordem dos Capuchinhos, onde estão sepultados os mais notáveis Habsburgos, inclusive a grande Imperatriz Maria Teresa, que mandou erigir um túmulo “de casal” para ela e o marido, onde ambos estão retratados em escultura, olhando um para o outro.

Não poderia haver um dia melhor para descermos à Kaisergruft.

Kaisergruft, Viena
Kaisergruft, Viena

Estávamos em Viena, era dia 21 de novembro de 2016. O dia do centenário de morte do Imperador Francisco José, o detentor de um dos reinados mais longos da História (da coroação em 1848 ao falecimento em 1916). De fato, as repartições estatais do centro histórico, tais como a Biblioteca Nacional, tinham as fachadas decoradas com cartazes do centenário e exibiam suas mostras especiais, sob o título (em alemão) “Franz Joseph 100 Jahre Todestag”.

O túmulo do imperador era sem dúvida o mais visitado naquele dia especial. Turistas em sinal de respeito colocavam rosas a seus pés. Ele, no centro. À direita de quem vê, está Rodolfo, o “Kronprinz”, aquele que seria o herdeiro da coroa Habsburgo se não tivesse morrido precocemente aos 30 anos, em 1889.

Túmulo da Imperatriz Elisabeth, Sissi, Imperador Francisco José, Rodolfo, da Áustria
Túmulo da Imperatriz Elisabeth, Sissi, Imperador Francisco José, Rodolfo, da Áustria

À esquerda, está ela, a Imperatriz Elisabeth, esposa de Franz Joseph, considerada uma das maiores beldades de seu tempo. Conhecida como Sisi, também faleceu de forma trágica aos 61 anos, assassinada pelo anarquista Luigi Lucheni em Genebra, à beira do Lago Leman, em 1898. Seus cabelos, segundo atestam as fotografias, iam até os tornozelos e geravam lindos e fartos penteados. Dizem que eram castanho-avermelhados, cor de mogno. Inclusive, pudemos perceber o quanto os cabelos lhe eram caros, e o quanto a curadoria dos palácios onde ela viveu (Hofburgo e Schönbrunn) rendem loas a essa característica física da imperatriz.

Imperatriz Elisabeth, Sissi
Imperatriz Elisabeth, Sissi

Em seus cômodos, depara-se com manequins viradas de costas, em representação da imperatriz, e ali estão os cabelos soltos quase até o chão. Há também o famoso trio de quadros pintados por Winterhalter, que a retratam também com as madeixas soltas (pinturas consideradas ousadas para a época, foram um presente para o marido Franz, datados de cerca de 1867, período da coroação como reis da Hungria).

“Mas porque falei dos cabelos da Imperatriz? Porque ao pé de seu túmulo, estão elásticos de cabelo!”

Os visitantes, pelo que vimos, gostam de levar esse tipo de presentinho inusitado para Sisi. Levam flores também, toda sorte de coisas delicadas, tudo a combinar com a imagem tecida para essa personagem mítica e tão controversa e incompreendida ao seu tempo, e hoje muito amada pelos vienenses e turistas.

Detalhe túmulo Imperatriz Elisabeth, Sissi
Detalhe túmulo Imperatriz Elisabeth, Sissi

Saindo da Kaisergruft, seguimos pelo centro histórico até a igreja de Santo Agostinho, onde tantos casamentos importantes aconteceram para a dinastia dos Habsburgo, e que fica praticamente dentro do complexo do Hofburgo, palácio central e de inverno da família imperial. Por ser novembro, já havia se instalado ali na Michaelerpltaz (praça em frente ao Hofburg), mais uma feirinha de Natal, mas de artigos de artesanato.

Maria Teresa e seu marido, Francisco I
Maria Teresa e seu marido, Francisco I

Seguindo pela Kohlmarkt, chegamos à famosa rua Graben, cheia de lojas de grife. Havia lá um pequeno quiosque natalino, onde compramos um vinho quente (glühwein) por 4 euros, e dois biscoitinhos de gengibre, deliciosos.

Rathaus de Viena
Rathaus de Viena

Fazia cerca de 7 graus, temperatura bastante aprazível para a época. Por ali ficamos algum tempo, e depois fizemos o caminho de volta pela Kohlmarkt, ladeamos a direita do Hofburgo e pela continuação da Löwelstrasse, passamos pelo Volksgarten, pelo Burgtheater e atravessamos para a Rathaus (prefeitura em alemão) da cidade. Ali, no escuro da noite, a Rathaus reluzia com sua iluminação natalina, sua pista de patinação e sua feirinha também montada para o Natal, que mais parecia um cenário mágico da Fantástica Fábrica de Chocolate.

Assim, fomos atraídos pela beleza e pelo lúdico daquele lugar e, entre tantas opções de comida, bebida, doces e artesanato, decidimos por ali mesmo “jantar” deliciosos e enormes hot dogs, podendo escolher entre a käsekranner (salsicha/lingüiça recheada de queijo), a bratwurst e a currywurst, acompanhadas de mostarda a gosto (de 4 a 5 euros cada)!

Rua Graben, Viena
Rua Graben, Viena

De lá, pegamos o metrô de volta para a Pilgramgasse, retornando ao hotel, na noite tranquila, segura e silenciosa de Viena.

Por Letícia, do casal de mineiros de Belo Horizonte, que acredita que viajar é um jeito divertido de conhecer outras culturas, com muita fotografia, mapas riscados, planos feitos, além de vários contos e diários conquistados e compartilhados.

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