Berlim – A Chegada

Berlim, 28 de novembro de 2016.

Acordamos cedo e seguimos a pé, devido à excelente localização de nosso hotel (Ibis Praha Old Town), até a estação principal de Praga, a fim de tomarmos o trem para Berlim. Desta vez o trecho de 4 horas e meia de duração foi feito pela companhia de trem Tcheca Ceské Dráhy, e não mais pela já nossa quase habitual ÖBB. Mas as acomodações em segunda classe não deixam nada a desejar em relação às demais empresas de transporte ferroviário que experimentamos na região.

Margem do rio Elba, vista do trem de Praga para Berlim

O turista deve apenas ser cauteloso ao chegar à estação em Praga “Praha Hlavní Nádraží” com antecedência para pegar o trem. É que além das dificuldades com o idioma tão peculiar e a dependência absoluta do contato com falantes de inglês, bem como da sinalização em inglês, é tarefa complicada identificar precisamente a plataforma de onde o seu trem específico sairá. Coisas dos Tchecos…

Acontece que ficamos com a impressão de que isso seja proposital: cidadãos sem qualquer crachá ou credencial de funcionários da estação ficam de bobeira no saguão abordando os turistas confusos ou indecisos e oferecendo seus préstimos para guiá-los até a plataforma de embarque. Constava apenas um pin com seu nome no casaco, conotando algo “oficial” para os mais desavisados.

Inseguros que estávamos, aceitamos os serviços de um desses “guias”, travando com ele uma comunicação interessante em inglês e achando graça no seu sotaque. O serviço nos custou algumas Coroas Tchecas – valor a ser negociado livremente com o “guia”, como uma espécie de gorjeta. Um grupo de venezuelanos que esperava o mesmo comboio também chegou servido por um outro guia. Depois que os tchecos se foram, ficamos confabulando com nossos colegas latino-americanos se estaríamos realmente no local correto, etc. e tal. Eis que o trem chegou, colocando um fim na nossa (justificada) cisma.

A viagem oferece paisagens belas e em alguns trechos o trilho margeia o rio Elba. Construções e ranchos no estilo enxaimel não deixam dúvidas de que já estamos em território alemão. Passa-se por Dresden, cidade que por razões de tempo e logística não coube em nosso roteiro como pit stop.

Hauptbanhof (estação principal) de Berlim, Alemanha
Hauptbanhof (estação principal) de Berlim, Alemanha
Hauptbanhof (estação principal) de Berlim, Alemanha
Hauptbanhof (estação principal) de Berlim, Alemanha
Hauptbanhof (estação principal) de Berlim, Alemanha
Hauptbanhof (estação principal) de Berlim, Alemanha

Já pela hora do almoço chegamos em Berlim, na sua Hauptbanhof (estação principal), reformada para a copa do mundo de futebol de 2006. Nela já somos recepcionados pelo ursinho colorido que é o grande anfitrião da cidade, e que pode ser visto nos mais diversos lugares. Para ganhar tempo, almoçamos em um Pizza Hut na própria estação, gastando inacreditáveis 5 Euros por pessoa, com refrigerante.

Meio confusos com o tamanho da estação e com a grandiosidade da rede de metrô de Berlim, optamos por pegar um taxi até o nosso hotel Ibis Mitte, que fica no n° 5 da Prenzlauer Allee, a cerca de 500 metros da cosmopolita Alexander Platz. Gastamos 14 Euros nesse traslado, mas valeu pelo conforto, afinal nossas malas já estavam cansadas de tanto rodar rua afora.

Banhof, Alexander Platz
Banhof, Alexander Platz

Instalados no hotel, saímos sem perder tempo para explorar Berlim, que se descortinava num mix entre passado e modernidade. De metrô na estação Rosa-Louxembourg (a indicada pelo pessoal do hotel), na praça de mesmo nome, seguimos para a Potsdamer Platz, um dos corações pulsantes da cidade, com arranha-céus e centros de compras. É no cruzamento da Potsdamerstrasse com a Stresemannstrasse onde fica uma réplica do primeiro semáforo de Berlim, instalado em 1924 naquela região. Mais remotamente, em meados de 1830, fora aberto ali o terminal ferroviário que ligava Berlim a Potsdam, entre outras localidades.

Memorial do Holocausto
Memorial do Holocausto

Pela Ebertstrasse, rumamos para o Portão de Brandemburgo, cartão-postal principal da cidade. Nesse trajeto de pouco mais de 1 km, passamos à direita do mais comovente e impactante lembrete do massacre e persecução aos judeus no século XX: o Memorial do Holocausto. Blocos de cimento cinza, de várias alturas, compõem um conjunto de tumbas que representam os judeus, de várias origens e idades, dizimados pelo nazismo. Ali, no coração da cidade, esse monumento de proporções colossais (centenas de metros quadrados, um imenso quarteirão), é uma cicatriz que não deixa o povo esquecer o horror daquele tempo sombrio.

No subsolo, o memorial rende homenagens a famílias judiais inteiras, exibindo fotografias e escritos de diários e cartas dos que testemunharam e registraram o medo, a apreensão e a saudade reinantes naquele período de conflito mundial. A leitura desses escritos é um soco no estômago. A entrada é gratuita, mas contribuições espontâneas são bem-vindas.

Portão de Brandemburgo
Portão de Brandemburgo
Berlim

O sol já se despedia (por volta das 16 horas no inverno europeu), quando continuamos nosso trajeto até o Portão de Brandemburgo, linda construção ordenada pelo Kaiser Frederico Guilherme II em 1789 e finalizada em 1791.

A quadriga, conjunto de 4 cavalos puxando carruagem encimados no monumento juntamente com a Deusa da Vitória, fora levada por Napoleão Bonaparte para Paris em 1806, após sagrar-se vencedor da batalha de Jena, contra a Prússia. A águia prussiana e a cruz de ferro que a Deusa hoje porta foram acrescentadas em 1814, quando a quadriga foi recuperada dos franceses e Napoleão derrotado. Durante a divisão de Berlim Oriental e Ocidental, deu-se uma sutil volta no trajeto do muro para que o belo monumento ficasse do lado soviético da cidade.

De frente ao Portão, temos a Pariser Platz. Ao fundo, o Tiergarten, extenso parque cortado pela avenida Bundestrasse, que leva à Coluna da Vitória (Siegessäule). Na Pariser Platz há de tudo: artistas de rua, equipes de TV filmando, lojas de souvenir. Aproveitamos para comer uns Donuts.

Lembrete da existência do Muro de Berlim
Lembrete da existência do Muro de Berlim

As imediações dessa parte da cidade são ricas em lembretes da existência do Muro de Berlim (Berliner Mauer, 1961/1989). A caminho da Topografia do Terror, próxima da Pariser Platz e da Potsdamer Platz, pudemos ver no chão o pontilhado que indica onde passava o muro, nem sempre retilíneo. Igualmente impactante mais essa cicatriz na face da cidade, registro histórico da súbita e abrupta divisão de um povo irmão.

Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha
Topografia do Terror, Berlim, Alemanha

A Topografia do Terror é mais um memorial da 2ª Guerra Mundial, desta vez ilustrativo da organização da polícia secreta do Terceiro Reich (Gestapo – sigla para Geheime Staatspolizei) e SS  – Schutzstaffel ou Tropa de Proteção, esta última uma organização paramilitar nazista. No local funcionavam os escritórios dessas unidades, bem como celas onde foram feitos prisioneiros políticos. As construções antigas, arruinadas durante e após a Guerra, deram lugar a uma edificação moderna e em tons claros, onde está documentada em painéis e em mecanismos interativos (áudio e vídeo) a ascensão e queda do regime nazista e, em pano de fundo, o retrato da Berlim da época e os danos indeléveis sofridos com os bombardeios. No pátio externo é possível de se ver escavações do subsolo que mostram alguns dos porões que serviram de compartimento aos presos, e um extenso trecho do Muro de Berlim. Entrada igualmente gratuita.

Caminhando pela noite fria (cerca de 2 graus), voltamos para a Potsdamer Platz e entramos no Sony Center, uma espécie de galeria iluminada e colorida onde há cinema, restaurantes e entretenimento em geral.

Potsdamer Platz, Sony Center - Berlim
Potsdamer Platz, Berlim
Potsdamer Platz, Sony Center - Berlim
Potsdamer Platz, Sony Center – Berlim
Potsdamer Platz, Sony Center - Berlim
Potsdamer Platz, Sony Center – Berlim

Jantamos no Andy’s Dinner & Bar, uma espécie de sanduicheria em estilo americano retrô que se encontrava ainda aberta. Com drinks, pedimos um steak e um ensopado de carne com batatas, cenoura e molho de tomate (parecido com um parmegiana) que estava a mais pura pimenta! Bom para aquecer no frio berlinense. O jantar custou no total 35 euros. Pegamos o metrô na Potsdamer Platz em direção ao hotel. Tivemos grandes dificuldades e gastamos o nosso alemão perguntando aos transeuntes qual a entrada correta para o sentido do trem de que precisávamos. É que o metrô de Berlim é enorme e com inúmeras linhas, nem sempre interligadas subterraneamente. Mas com sorte e um pouco de lógica chegamos ao hotel. 7 euros por pessoa foram gastos em tickets do metrô no dia de hoje.

Metrô em Berlim
Metrô em Berlim

Por Letícia com texto e publicação de Cristiano, do casal de mineiros de Belo Horizonte, que acredita que viajar é um jeito divertido de conhecer outras culturas, com muita fotografia, mapas riscados, planos feitos, além de vários contos e diários conquistados e compartilhados.

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