Vaticano com Sua Santidade e Castel Sant’Ângelo

Vaticano

Roma, 7 de Dezembro de 2014 – Dia 14

“Domenica, dia de ver o Papa!”

Acordamos, e notamos que vários cafés e padarias não abriam aos domingos. Encontramos um bem na Praça Del Popolo, onde tomamos capuccino e comemos paninis ao som do bate-bate das xícaras sujas sendo lavadas ruidosamente por um garçon que de tão hábil, mais parecia motorizado.

Após dar um giro pela praça, pegamos o metrô novamente com destino ao Vaticano e parece que todo o fluxo de pessoas se dirigia para lá, para ver Sua Santidade. Sempre que está em Roma, aos domingos, pontualmente ao meio-dia, o Papa aparece da janela de seu apartamento no Vaticano e profere a liturgia conforme o calendário canônico e espalha suas bênçãos sobre a multidão. E assim foi.

Vaticano
Vaticano

Chegamos por volta das 11:30 e nos acomodamos no melhor ponto de observação. Às 11:45, a janela foi aberta e uma flâmula em cor púrpura descerrada, e um auxiliar instalou ali o microfone. Rigorosamente ao meio-dia, o Sumo Pontífice apareceu, braços abertos, acolhendo das alturas a Praça de São Pedro coalhada de fiéis. A homilia dura cerca de 20 minutos, ao fim dos quais Francisco novamente abençoa a todos, deseja um “buono pranzo e una buona domenica” e finaliza:

“rezem por mim, não se esqueçam de rezar por mim”.

Vaticano - Papa Francisco
Vaticano – Papa Francisco

Assim tem fim a cerimônia do Angelus, sempre aos domingos, sempre ao meio-dia. Uma multidão logo após adentrou a Basílica, tornando quase impossível nossa visita às catacumbas, que não pudemos fazer no outro dia. Seguindo outro fluxo, descemos a rua que dá em frente à Praça de São Pedro, chegando à beira do rio Tevere à direita e à esquerda, visualizamos o Castel Sant’Ângelo.

Castel Sant’Ângelo
Castel Sant’Ângelo

Após cinco minutinhos na fila, entramos na antiga fortaleza papal, construída originalmente na antiguidade para ser o mausoléu de Adriano. Percorremos as áreas térreas e todos os andares da fortaleza, seus pequenos corredores e passagens estreitas, fruto de modificações promovidas ao longo do tempo. A idéia era fazer da fortaleza um refúgio para os Pontífices em caso de invasões ou ataques à cidade, mais comuns em tempos remotos.

Castel Sant’Ângelo
Castel Sant’Ângelo

Diz-se que existe uma passagem subterrânea que liga a Basílica de São Pedro ao Castel, cujo objetivo era assegurar o traslado incólume do Papa. Num dos mais elevados andares, há um apartamento montado para o Pontífice, mas logicamente esse hoje é apenas um recinto de interesse histórico: sequer cogitada nos tempos atuais sua efetiva utilização pelos Papas da modernidade.

Castel Sant’Ângelo
Castel Sant’Ângelo

O Castel Sant’Ângelo conta ainda, nos andares superiores, com restaurante onde é possível saborear desde pizzas a sanduíches, até risotos e carnes. Tudo isso usufruindo da bela vista propiciada das varandas circulares do edifício. Todavia, almoçamos em um outro restaurante na avenida que liga o Castel à Praça de São Pedro. Na verdade, não foi uma boa pedida, já que tratava-se de comida pré-pronta que foi apenas esquentada para nos ser servida. Comemos macarrão ao molho de tomates, acompanhado de suco de maçã verde. Em outro estabelecimento, um delicioso gelato ajudou a superar a decepção com o prato principal.

Ponte sobre o rio Tevere
Ponte sobre o rio Tevere – Vista do Topo do Castel Sant´Ângelo

Seguimos à procura da Piazza Navona. Não chegamos a comentar aqui, mas estávamos imbuídos do espírito do professor Robert Langdon, personagem de Dan Brown, e desejávamos conhecer tantos locais citados em Anjos e Demônios quantos fossem possíveis. O Sant’Ângelo e a Navona são alguns desses lugares onde o professor viveu parte de suas aventuras. A Piazza Navona é uma praça ampla, retangular, muito animada, onde há vários artistas de rua, seja desenhando, pitando ou fazendo música. As pessoas sentam ali para ver o tempo passar, as crianças gostam do carrossel. A embaixada brasileira em Roma tem ali a sua sede luxuosa, no Palácio Pamphili. Na praça está também a riquíssima Fontana de Quattro Fiumi, ou seja, fonte dos quatro rios, obra de Gian Lorenzo Bernini representando o Ganjes, o  Nilo, o Danúbio, e o Rio da Prata.

Piazza Navona
Piazza Navona
Piazza Navona
Piazza Navona
Piazza Navona
Piazza Navona

Nosso próximo alvo era a distante Igreja de Santa Maria Della Vitória, onde está exposta a escultura “O Êxtase de Santa Teresa”, também citada no livro de Dan Brown. Mas essa parte da cidade não é coberta pelo metrô, e não sabíamos qual ônibus pegar. Assim, com um mapa nas mãos, iniciamos a jornada a pé, e diga-se que foi muito proveitosa, pois no caminho, entramos no museu de cera Madame Toussauds; passamos em frente ao Mercado de Trajano; conhecemos a Piazza Della República, chique e majestosa; e compramos uma nova mala para transportar de volta ao Brasil as tantas bugigangas que compramos nessa viagem.

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Santa  Maria Della Vitória, onde está exposta a escultura “O Êxtase de Santa Teresa”

 

Por fim, chegamos a Santa Maria Della Vitória mas, como era domingo, havia missa e ela estava apenas começando… Alguns turistas mais ousados ignoraram a autoridade do padre que celebrava e tentaram se aproximar da lateral esquerda da igreja para ver a santa, mas foram pronta e energicamente repreendidos pelo clérigo:

“Santa Teresa não vai sair dali. Esperem a missa acabar!”

Então, com medo de passarmos essa vergonha, assistimos quietos e calados a toda a missa. O padre virou as costas ao final e muita gente foi correndo admirar a escultura. Mas é preciso dizer que assistir à missa, assim, em Roma, o berço do catolicismo, foi uma experiência memorável, que nos levou a pensar na força da igreja que consegue, gerações após gerações, milênio após milênio, manter exatamente os mesmos ritos e rituais, e os difundir com fidelidade em quase todo o mundo.

Depois dessa maratona, voltamos caminhando até a Via di Ripetta, e jantamos no restaurante Porto di Ripetta, indicação de nosso hotel. Gostamos muito do ambiente, que contava naquele dia com piano-bar e cantora ao vivo. A refeição era deliciosa, mas os pratos eram pequenos, então seria necessário seguir a etiqueta romana à mesa e pedir a entrada, o primeiro prato, o segundo prato e a sobremesa, para sairmos de lá bem satisfeitos. Usualmente, pelo que observamos durante nossa estada na cidade, a entrada pode ser salada ou bruschetta, por exemplo; o primeiro prato geralmente é uma massa; o segundo prato é composto de carne e algum acompanhamento. Recomendamos a experiência!

Por Cristiano e Letícia, casal de mineiros de BH.

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