Segundo dia em Berlim

Começamos o dia descendo a pé até a Alexander Platz, onde há um ponto principal do ônibus Hop On Hop Off, e decidimos comprar um passe de dois dias (16 euros o passe).

O dia estava chuvoso, então o transporte facilitado de um ponto a outro da cidade seria um grande aliado.

DDR Museum

Saltamos no ponto mais próximo do DDR Museum, um museu inteiramente dedicado aos anos da Berlim dividida pelo muro, mostrando e contando um pouco como era a vida, o lazer, os usos e costumes, o comércio, dos que residiam na Berlim oriental, sob o comando soviético. Os ingressos custaram 7,5 euros por pessoa.

 

DDR Museum

DDR é a sigla para Deutsche Demokratische Republik (RDA – República Democrática da Alemanha), como a Alemanha Oriental era denominada. Já a Alemanha Ocidental era chamada de Bundesrepublik Deutschland (RFA – República Federal da Alemanha).

O DDR Museu não ocupa uma grande área, mas o seu acervo é rico, divertido e interativo. Lá está exposto o Trabi, apelido do Trabant P50, único automóvel “padrão” a que os berlinenses orientais tinham o direito de receber do Estado, mesmo assim após cerca de 16 anos em espera.

É possível entrar no carro, ocupar o assento do motorista e ter a sensação de dirigi-lo virtualmente, como um fliperama.

O Trabant passou a ser produzido em 1958, em uma fusão industrial entre a Audi e a Horchs, mediante ordem do Politburo. Desenvolvia até 100 km por hora, possuía 4 marchas e seu tanque tinha capacidade para 24 litros de combustível.

DDR Museum – Trabant

 

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Em termos de turismo, o mais longe que um cidadão da Alemanha Oriental poderia ir eram a Polônia, Tchecoslováquia e Hungria. Embora o Estado fosse industrial, não conseguiu fazer a transição para a era eletrônica, perdendo posto para países de economia não planificada. Apesar de o dinheiro não ser escasso, havia muito poucos produtos a comprar, o que fomentava o desejo por “pequenos e dificílimos contrabandos”, tais como perfumes, brinquedos, discos, ket-chup e – pasmem – revistas em quadrinhos Disney, que eram mercadoria proibida e demonizada para as crianças!

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DDR Museum
DDR Museum

Havia 39 jornais, duas estações de TV e quatro de rádio, e todas deviam submeter suas pautas semanalmente, às quartas-feiras, ao crivo do Politburo. Contudo, a administração fracassou na tentativa de bloquear o sinal televisivo da emissora de TV ocidental.

A prática desportiva também era francamente incentivada, fazendo dos atletas vitoriosos, sobretudo na ginástica, uma vitrine do socialismo para o mundo.

Na música, as casas noturnas eram obrigadas a tocar pelo menos 60% de repertório composto na Alemanha Oriental ou nos demais países soviéticos. Espertamente, as boates guardavam a quota de músicas ocidentais para tocar nos horários de pico, deixando o cancioneiro local para os horários mais vazios, quando o público já estava indo embora.

No museu estão ainda reproduzidas instalações que reconstituem locais, tais como um kindergarten (jardim de infância). Às crianças era ensinado desde cedo o pensamento do socialismo, o coletivismo, pois pela lógica do partido, o bom convívio superava em importância o desenvolvimento de habilidades individuais.

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O Kindergarten

Um escritório interativo de escutas telefônicas é o cômodo do museu onde o visitante coloca fones de ouvido e se sente interceptando conversas mundo afora.

DDR Museum

Mas o mais tocante é a reprodução de um apartamento padrão da Berlim Oriental, com sala, cozinha, banheiro, quarto infantil, quarto do casal, todo mobiliado e equipado, para dar a real impressão de que seria habitado. Ao abrir os armários, lá estão roupas e demais objetos. Na cozinha, ao abrir os armários depara-se com telas mostrando os alimentos e pratos usuais à época. Algumas contêm as embalagens propriamente ditas.

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apartamento padrão soviético

 

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A porta do DDR Museum fica exatamente ao fundo da Berliner Dom, a Catedral de Berlim, seriamente danificada pelos bombardeios durante a guerra, mas já reconstruída nos mesmos moldes. Não a visitamos por dentro, porque encontrava-se fechada no horário em que passamos por lá.

Berliner Dom

Logo à frente, fica a Ilha dos Museus (museum insel), que é realmente uma ilhota do Rio Spree, onde estão os três grandes Pergamonmuseum, Altes Museum e Neues Museum. No primeiro, a grande atração é a Porta da cidade babilônia de Ishtar e o Portão do Mercado de Mileto, e antiguidades persas, gregas e do mundo árabe em geral. O altar de Pérgamo (antiga cidade grega), que nomeia o museu, estava fora de acesso para visitação. Já no Neues Museum, o carro-chefe é o busto da rainha egípcia Nefertiti. O acervo dedica-se à Antiguidade e Pré-História. Já a Alte National Galerie dedica-se especialmente aos mestres da pintura romântica e impressionista e arte do século XIX.

 

Alte Nacionalgalerie
Museum Island –  Altes Museum
Pergamonmusem – Porta de Ishtar

 

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Pergamonmusem – Portão do Mercado de Mileto

Optamos pela entrada no Pergamon, ao custo de 12 euros cada ticket. Há combos para visitação de mais de um dos museus, mas nosso tempo escasso não nos permitiu estender esse passeio.

Nas proximidades, encontramos um café simpático numa galeria ou rua coberta da Karl-Liebknecht Strasse n° 3, sob o edifício do hotel Radisson Blu. Tomamos um glüwein (vinho quente), e comemos hot dog à moda, com chucrute e picles em cima!

Berlim

Caminhamos até o Bundestag / Reichstag, o parlamento alemão, cuja visita tínhamos agendado, gratuitamente, pela internet, para o dia seguinte.

Reichstag

Depois de mais uma passada pelo Memorial do Holocausto, andamos sem rumo, guiando-nos pela Torre de TVFernsehturm, visível de todos os pontos da cidade. Através do ônibus Hop on Hop off, fizemos o percurso inteiro da linha verde, passando pelos bairros de Kreuzberg, pela mítica Avenida Karl Marx (Karl Marx Allee), pela Oranienburger Strasse (no bairro judeu), pelo prédio da Galeria Tachelles, apropriado por artistas modernos que a adotaram como moradia coletiva e galeria de arte. Há litígio em curso para retomada da área, a se acompanhar o desfecho.

Torre de TV

Na Alexanderplatz, ponto final do ônibus, demos asas ao nosso lado consumista passeando por um supermercado cheio de guloseimas locais (compramos uma torta sacher para comer mais tarde) e entramos na Primark, loja de departamento de preços bastante convidativos onde nos deixamos ficar por mais de uma hora.

Jantamos na Hofbrauhaus Berlim, que fica um quarteirão e meio abaixo do hotel onde nos hospedamos, na própria Prenzlauer Allee.

Hofbrauhaus Berlim
Hofbrauhaus Berlim
Hofbrauhaus Berlim
Hofbrauhaus Berlim

Lá dentro, o mesmo clima festivo da matriz sediada em Munique. Gastamos 25 euros por pessoa, entre currywurst, weisswurst, apfelschorle e chope(s).

Por Letícia com texto e publicação de Cristiano, do casal de mineiros de Belo Horizonte, que acredita que viajar é um jeito divertido de conhecer outras culturas, com muita fotografia, mapas riscados, planos feitos, além de vários contos e diários conquistados e compartilhados.

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